Nesta sessão, você terá disponível, a história da fonoaudiologia no Brasil e no mundo e também o significado do símbolo da profissão.

História da Fonoaudiologia

História da Fonoaudiologia no Mundo

Assim como as outras profissões da área de saúde, a Fonoaudiologia surgiu da medicina. Antes a área da saúde era centralizada da figura do médico, mas com o decorrer do tempo, a medicina foi se especializando e com o surgimento dessas novas áreas, foram criadas novas profissões em saúde, e uma delas foi a Fonoaudiologia.

Antigamente eram os magos e sacerdotes quem curavam e tratavam as pessoas enfermas, pois a doença era vista como uma punição dos deuses. A fonoaudiologia também teve seu tempo de ser tratada por magos, acreditava-se que a linguagem era um dom divino por isso pessoas com distúrbio nesta área eram vistas como endemoniadas.

Um hieróglifo num papiro da dinastia do Egito médio, há 20000 a.C, é uma das mais antigas referências sobre distúrbio da linguagem. A gagueira era retratada como fala arrastada da língua.

Hipócrates foi considerado pai da medicina, pois foi o primeiro a estudar anatomia, patologia e terapêutica da boca, procurou a diferença entre um homem saudável e o enfermo e não se interessava em saber se a doença era punição dos deuses. Ele também mencionou patologias da fala, dizia que a palavra inteligente depende do controle da língua e da boca, e em condições gerais as patologias eram consideradas "preguiça e capricho" do locutor ao falar.

No século XVI, o monge beneditino Pedro Ponce de Leon, trabalha para oralizar os surdos, e é conhecido como o primeiro professor de surdos. Ele vivia num monastério onde precisava ser feito voto de silêncio, assim ele criou uma forma de se comunicar por sinais, e logo após esta forma de comunicação ser mais desenvolvida por ele, se tornaria a primeira língua de sinais do mundo.

Em 1579 foi publicado o primeiro livro da história da fonoaudiologia, tratava-se do Auditus instrumento que abordava questões audiológicas e foi escrito por um monge chamado Coitie.

No século XX a fonoaudiologia se firma como profissão no mundo e no Brasil, isso porque ela começa a trabalhar de forma mais científica.


Monge Coitie, 
autor do primeiro livro sobre audiologia, 
o "Auditus instrumento ".

Historia da Fonoaudiologia no Brasil

Com a vinda da família real para o Brasil, e a abertura da escola nacional, dá inicio ao atendimento a pessoas com problemas de comunicação, porém quem mais se beneficiava eram os surdos. Setenta anos depois, na época do positivismo, e o forte impulso de quantificar, medir e padronizar os comportamentos nas escolas que trazem a tona os "defeitos e vícios" linguísticos na fala das crianças, colaborando para criação do "Código de Educação", que prevê a criação de Escolas Ortofônicas - escolas para falar bem. O inicio da atuação dos ortofonistas ocorreu nas décadas de 1940 e 1950 e eles atuavam corrigindo a fala das crianças, esta profissão estava ligada ao magistério.

Na década de 60 se deu inicio ao ensino de fonoaudiologia no Brasil, com a criação dos cursos na Universidade de São Paulo (USP) em 1961, vinculado à clínica de otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da faculdade de medicina, e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1962, ligado ao Instituto de Psicologia. Ambos estavam voltados à formação tecnóloga em fonoaudiologia, sendo que o primeiro currículo mínimo, fixando as matérias e a carga horária desse curso, foi regulamentado pela Resolução n° 54/76 do conselho federal de educação.

Nos anos 70 foi criado o primeiro curso em nível de bacharelado, sendo o primeiro a ter seu funcionamento autorizado, curso o da USP, em 1977.

A lei que regulamenta a profissão de fonoaudiólogo é a Lei n° 6965, sancionada pelo presidente João Figueiredo em 09 de dezembro de 1981. Além de determinar a competência dos fonoaudiólogos, com a lei foram criados os conselhos Federal e Regional em fonoaudiologia, tendo como principal alvo a fiscalização do exercício profissional. As atividades do conselho federal tiveram inicio em 83, e em 15/09/84, pela resolução CFFa n° 010/84, foi aprovado o primeiro código de ética da profissão, que juntava os direitos, deveres e responsabilidades de fonoaudiólogo inerentes a sua atividade profissional. Em 17/12/95 foi elaborado e aprovado o novo código de ética, vigente até hoje.

Simbolo heráldico da Fonoaudiologia. 

Os símbolos emblemáticos dos fonoaudiólogos foram oficializados pela Resolução Nº 278, de 07/07/2001, pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. "O símbolo heráldico da fonoaudiologia é constituído da seguinte forma: Um círculo contendo em sua parte superior o nome da profissão - "Fonoaudiologia" em cor azul royal; ao centro a letra "F" estilizada, na cor vermelha; ao fundo e ao redor da letra "F" duas figuras geométricas, de forma côncava, raiadas e em sua parte inferior, losangos na cor vermelha, conforme matriz à disposição na sede dos Conselhos de Fonoaudiologia. A forma estilizada no centro do heráldico tem dupla significação e referencia-se à emissão e recepção do som pelo corpo humano. O "F", de Fonoaudiologia, em primeiro plano no heráldico, lembra o despertar da serpente em movimento ascensional. Esse movimento nas práticas derivadas da sabedoria oriental, desperta o homem para a compreensão mais ampla da vida e do universo. Nesse sentido é também força de cura, de vivificação e os raios do outro se referindo à emissão e recepção do som pelo corpo humano" (Conselho Federal de Fonoaudiologia, 2016). 

Referências:

Conselho Federal de Fonoaudiologia. Disponível em: <https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/index.php/historia-da-fonoaudiologia/>.

Lima, PS. Enfoque histórico da Fonoaudiologia. CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA MOTRICIDADE ORAL. Disponível em: <https://www.cefac.br/library/teses/b76a642ee3d43eaf4598cb27416e312f.pdf>.

Carvalho, NS. SURDEZ E BILINGUISMO: PERSPECTIVAS, POSSIBILIDADES E PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO PARA SURDOS. Disponível em: <https://www.uneb.br/salvador/dedc/files/2011/05/Monografia-Naiana-Santos-Carvalho.pdf>


© 2016 Cicilha Pataxó, Lílian Seixas, Raphaela Araújo. Estudantes da Universidade Federal da Bahia
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